Para quem nunca aprende...

domingo, 15 de maio de 2011

Esses rabiscos que venho fazendo desde tempos remotos – exagero, eu sei – não são direcionados a alguém em questão, mas unicamente para expor, em parte, aquele sentimento solitário que se alastra na minha mente, em meu coração. Não queria fugir da responsabilidade que tenho de aliviar a minha mente desabafando o que está acumulado na garganta. Nem sei se tenho esse dever, porém, creio que estou maltratando o meu bem-estar sentimental. Entretanto, sabe o que é infinitamente pior do que tudo o que venho passando? É o fato de eu querer me conformar, conseguir e, em seguida, voltar atrás com o primeiro fiapo de esperança que possa surgir. Uma simples faísca que eu abraço com toda força, como se toda minha vida dependesse disso. É assim.

É assim que as vibrações corporais aumentam, uma falsa felicidade de um futuro se propaga por todos os pensamentos. Cada plano feito sozinho, sem o conhecimento de alguém envolvido é armado como um “será assim, e eu vou ser feliz”. Pode ser clichê comentar isso, mas: doce ilusão. Não se pode planejar nada sozinho e, então, porque não aprendo ou simplesmente aceito, enxergo as situações ao redor da forma como são? Por que as aparentes faíscas continuam surgindo, enganando, sabendo que eu vou ver aquilo como uma fogueira maior que eu já havia visto nas situações em que me iludi anteriormente?

Não aprendo. Continuo errando. Quando acertar? Talvez nunca. Quem sabe. Ainda estou mergulhado nos erros e, o mais provável, é que eu acabe me afogado nos mesmos. São tantos deles que, olhando à minha volta, fico zonzo, perdido e não consigo seguir em frente, levando as frustrações de outrora como lições, como aprendizado. Significa que eu não aprendo nada ou que eu finjo que aprendi. Sempre acabo caindo no próximo bueiro e, ali, encontro-me em novas situações que me farão desabar mais ainda. Desabar tanto que, talvez, eu chegue a encontrar o meu próprio fundo do poço e, depois deste, meu próprio inferno, onde está a minha própria prisão – de onde eu acredito que não poderei sair. Poderei? Pra quê eu coloco uma condição nessa sentença? Viu? Eu não aprendo. Apenas continuo achando que algo pode dar certo. Por que você Esperança, não me deixa em paz? A sua inexistência em meu coração faria com que eu trouxesse alívio a mim mesmo. Faria com que eu olhasse para cada faísca e as apagasse no mesmo instante em que as visse. Eu poderia ficar triste, sentir-me acabado, derrotado, angustiado, maltratado, mas estaria desesperançado. Eu entenderia. Sofreria. Mas sofreria menos... Eu não sei dizer. É só o que tem sido dito aos ouvidos de meus pensamentos.

Enquanto isso, continuo tentando me livrar de você, tentando acumular razões suficientes para lhe jogar no lixo, no vaso e deixar descer pelo cano e parar na casa de quem você pudesse servir mais. Não quero mais você como minha mascote ou como qualquer coisa semelhante, Esperança. Já ergui a bandeira branca, e você ainda quer guerra? No final das contas, eu sei que nunca irei me desprender de você. No final das contas, eu ainda tenho esperança de que você, Esperança, saia de mim.

Eu nunca aprendo.

1 Comentário:

anamerari disse...

eu nascir par crêr...e vou acreditar até o final!
gostei do lirismo que há no texto,mas de verdade mesmo,eu creio que a vida é bela!
parece bordão,né?mas sou feliz assim: crendo!