terça-feira, 17 de agosto de 2010

Escritório de Depósitos e Relatórios Espirituais XXI, Ala V.
Morri e transformei-me num Ceifeiro. Talvez você não saiba, mas, quando morremos, temos o direito de escolher certos ofícios ou, simplesmente, deixar de existir. Não lembro exatamente da razão que me levou a exercer meu atual cargo, tampouco lembro de quem eu era quando humano... digo... acho que tenho memórias que surgem como estampidos em minha mente. Não sei dizer ao certo, mas, talvez, eu me tratasse de alguém bastante infeliz. Tais vislumbres abruptos estão manchados de vermelho e negrume. Eu disse “bastante infeliz”? Creio que a Infelicidade seja um sentimento exclusivamente humano. Não creio que eu esteja começando a senti-lo ou entendê-lo. Tudo o que sei é que minha mente é demasiadamente vaga, meus olhos tão vazios e meus cabelos mortos, tão mortos quanto minha profissão, da qual somente recebo a eternidade como salário...
Não posso expressar em voz alta o que aqui escrevo. Posso ser Punido. Não sei se é Medo. Não sei o que isso significa. Talvez eu esteja me contradizendo demais. E começando a ficar Confuso... Não tenho certeza quando tudo isso começou. Sinto... É provável que tenha sido daquela vez, na qual eu recolhia as almas de meu Setor em plena II Guerra. Lá estavam as pilhas de corpos com milhares de mínimas e reluzentes Esferas lhes sobrevoando. A Morte havia passado por ali e eu tinha de pôr todas aquelas Almas dentro de minha Mochila. Enquanto eu por ali passava e executava meu serviço, era impossível não observar os rostos inexpressivos, os corpos nus, as cabeças raspadas. Incrível era o fato de que apenas aqueles pontinhos eram responsáveis pela Vida daqueles, agora, apenas quilos de carne. De alguma forma violenta, os pontos haviam sido expulsos daqueles corpos e suas vidas esvaíram-se... Eu poderia perfeitamente bem devolvê-los, porém, caso o fizesse, deixaria de existir. Seria destruído. Agora que escrevi esta parte, talvez eu possa dizer que o Medo de um Ceifeiro é de deixar de existir. Muitos já não mais estão em qualquer Esfera Espiritual que exista. Teriam criado ou adquirido os sentimentos humanos?
Não sei.
Talvez...
... o preto e o branco de minha visão tenha começado a se colorir, no sentido de que eu começava a sentir somente algo dentro de meu não-coração, obviamente, pois a cor que se via naquelas montanhas cadavéricas era somente um azul-pálido, um cinza-melancólico e um marrom-taciturno. E essas são cores que vi que, para mim, só expressavam a Tristeza... a Perda...
Talvez eu devesse parar de escrever em minhas folhas de relatórios. De certa forma, percebo que estou começando a desvanecer...
Hora de retornar ao trabalho.
Não posso expressar em voz alta o que aqui escrevo. Posso ser Punido. Não sei se é Medo. Não sei o que isso significa. Talvez eu esteja me contradizendo demais. E começando a ficar Confuso... Não tenho certeza quando tudo isso começou. Sinto... É provável que tenha sido daquela vez, na qual eu recolhia as almas de meu Setor em plena II Guerra. Lá estavam as pilhas de corpos com milhares de mínimas e reluzentes Esferas lhes sobrevoando. A Morte havia passado por ali e eu tinha de pôr todas aquelas Almas dentro de minha Mochila. Enquanto eu por ali passava e executava meu serviço, era impossível não observar os rostos inexpressivos, os corpos nus, as cabeças raspadas. Incrível era o fato de que apenas aqueles pontinhos eram responsáveis pela Vida daqueles, agora, apenas quilos de carne. De alguma forma violenta, os pontos haviam sido expulsos daqueles corpos e suas vidas esvaíram-se... Eu poderia perfeitamente bem devolvê-los, porém, caso o fizesse, deixaria de existir. Seria destruído. Agora que escrevi esta parte, talvez eu possa dizer que o Medo de um Ceifeiro é de deixar de existir. Muitos já não mais estão em qualquer Esfera Espiritual que exista. Teriam criado ou adquirido os sentimentos humanos?
Não sei.
Talvez...
... o preto e o branco de minha visão tenha começado a se colorir, no sentido de que eu começava a sentir somente algo dentro de meu não-coração, obviamente, pois a cor que se via naquelas montanhas cadavéricas era somente um azul-pálido, um cinza-melancólico e um marrom-taciturno. E essas são cores que vi que, para mim, só expressavam a Tristeza... a Perda...
Talvez eu devesse parar de escrever em minhas folhas de relatórios. De certa forma, percebo que estou começando a desvanecer...
Hora de retornar ao trabalho.





Muito Phoda!!!
Realmente... muito phoda! =)
Viiageei =]
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