sábado, 1 de maio de 2010
Ao pegarem este papel já devem ter percebido diante de seus olhos o que nomeariam de tragédia. Devem ter visto meu corpo no chão, estatelado, imóvel, rijo, com os braços e as mãos abertas próximas a um pequeno frasco vazio destampado. O que chamam de tragédia, para mim significou alívio. Pois, assim, livrei-os de mais sofrimentos e tragédias que poderiam acontecer convosco. Eu me questionava a todo tempo quando seria o tão esperado momento em que eu pudesse, digamos, "tomar jeito em minha vida". Contudo, acreditei e tive certeza que tal momento nunca viria à tona, simplesmente porque quando sentei de frente para a cômoda e fiquei a observar meu taciturno rosto no aço espelhar, finalmente, dei-me a refletir sobre todos os eventos ocorridos durante toda a minha jornada de vida. Desabou sobre mim que, praticamente, tudo estava se desenrolando da forma mais errônea possível ao meu redor e dentro de mim. Conclui que tudo acontecia por eu estar ali, presente, executando todos os tipos de ações inimagináveis e perversas que, cedo ou tarde, vocês sempre descobriam. O que nunca realmente descobriram era como eu realmente estava por dentro, embora por fora nada se refletisse. Sei que dirão que eu era um garoto sorridente e que, de vez em quando, desviava os rumos do caminho certo. Infelizmente, vos informo, não era assim. Só eu sabia como era. Somente eu sabia qual era o peso que caía sobre mim assim quando me arrependia de ter feito mal a alguém. Consequentemente terminava fazendo mal a mim. O mal que aos outros infrlingi, poderiam esquecer, entretanto, como mácula sempre se tatuava em minha consciência por mais que eu quisesse me desculpar ou fosse perdoado mesmo sem pedir isso.
Mãe, como outrora [eu] dissera a você, não merecia a consideração de ninguém. Sempre a antagonizava, mas de frente para aquele espelho pude perceber a verdade. Talvez eu a [contrariasse] para que lavasse de mim qualquer culpa. Portanto, não se sinta culpada por meu atual estado diante de ti.
Atente e acredite no que agora vou lhe dizer: você foi a pessoa mais importante para mim em toda minha vida. Tanto que foi você a única pessoa para a qual já pedi perdão e tive receio de magoar. O que poderia me fazer feliz era errôneo e afastei porque não queria ferir seu âmago. Não queria lhe fazer sofrer! Minha felicidade era sua infelicidade. E optei por não prosseguir por planos que pudessem lhe fazer chorar mais do que agora [deve] estar.
Pai, de ti sempre afastado fui e, talvez, por isso nossas brigas tornaram-se cada dia incessantes.
Jenny, minha irmã, desculpe-me por não ser também amigo e todos os dias gritar com você por banalidades diárias.
Jason, querido irmão, passei contigo alguns momentos importantes ouvindo as músicas que pirávamos. E ficarei te devendo, desculpe, eternamente, o sonho de ir com você ao show da banda que tanto idolatrávamos.
Para tios e tias só posso dizer-lhes que, apesar de meu fechamento pessoal e minha distância em relação a reuniões familiares, sempre me imaginei sorrindo junto a vocês caso eu não fosse da forma que sou. E o que dizer aos amigos que, embora tão próximos, [eu] nunca soube aproveitar a amizade? Perdoe-me (acho que este, talvez, seja o segundo perdão da minha vida) por não querer dividir meus problemas com vocês. Tornariam-se uma carga que não suportariam e que eu decidi estar disposto a sempre resolvê-los por mim ou, então, deixá-los na gaveta de minha consciência. Agradeço-vos pelas bobagens passadas por nós, pelas aventuras sem vergonha alguma, pelas banalidades proferias, pelos Círculos de Contos de Terror e, também, por confiarem a mim seus segredos, mesmo eu tendo dito que nunca lhes confiaria os meus.
À pessoa que eu amava, que nunca soube que eu amava e, nem agora irá saber, espero que continue feliz e encontre alguém que mereça o seu amor e amizade porque eu nunca os mereci e, talvez, por isso, sempre senti receio de lhe falar o quanto chorei para algum dia estar ao seu lado. E este dia nunca chegará. A partir de hoje, nada mais chegará, a não ser minha partida, sem ti, sem todos vocês...
Eu era alguém cujos objetivos falhariam sempre. A faculdade? Sim, [eu] estava lá. Porém, não era o que eu queria. E, agora, neste instante, lhes direi que nunca saberão os problemas que me afligiam porque desejei que eles morressem comigo. Talvez deles não mais me recorde. Não sei. Não sei ainda como é a morte. Talvez [tenha optado] por ela porque a vida não suportava a carga que [eu] possuía. Desculpem pela letra tremida ou pelas lágrimas que mancham algumas palavras nesta carta, tornando-a um pouco ilegível. Agradeço por cada sorriso, por cada choro de alegria, por torcerem por mim, por terem acreditado em mim e... Realizem um pedido meu? Sejam felizes, por favor, e, se possível, esqueçam esta alma que hoje parte para além do infinito... E, mãe, estarei bem, talvez nunca melhor do que se continuasse vivendo.
Na morte sentimos saudades? Se não, até aqui, ainda sinto...
Justin...





Ás vezes não sei o motivo de tantas desculpas só pelo fato de ter existido se tem muitas pessoas no mundo que nem merecem a vida que tem? O mundo é injusto.
Seres humanos tem a mania de agir como se seus problemas fossem o fim do mundo, ou até mesmo 'uma carga' insuportável que se torna impossível de se empurrar. Se ainda estamos vivos por causas naturais, é pq ainda tem um motivo para estar-mos aqui, sofrendo e lutando por nossos ideais. Pobre ser fraco que não aguenta a 'pressão' de seus próprios medos.
Josh! Virei fã do seu modo de escrever. Serinho!
Beeijos.
Muito Phoda tbm !
vc tem o Dom mano !
Josh! Virei fã do seu modo de escrever.²
Curti
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