terça-feira, 27 de abril de 2010
Sempre foi minha política seguir meu coração. Mas o que você faz se dois corações batem em seu peito? Quando fico tranquilo e escuto, ouço duas pulsações de coração. A doutora insiste que há apenas um, mas eu sei que ela está errada. Posso ouvi-los quando me ponho a escutar e quando me concentro posso senti-los bater lado a lado; alternando a corrente sanguínea. Um é uma personalidade séria e masculina, tranquilo e forte, obscuro e misterioso; um guerreiro. Ele me diz para ser masculino e forte; intimidante. O outro, uma mulher, é maternal. Ela é agradável e gentil, compreensiva e misericordiosa. Ela me diz para ser feminino e tolerante. Um deles me diz para procurar entendimento em todas as situações. O outro para ter razão ao encarar uma situação e tomar o controle, ou até mesmo ser a fonte do conflito. Qual deles é real? Qual deles é o verdadeiro?Esta dualidade sempre tem sido especialmente difícil quando enfrento uma situação violenta. Em meu coração, sei que difundir a violência é o melhor caminho, mas eu mesmo acho que isso é um fraco curso de ação. Abster-se de violência é ser fraco, evitá-la e ser gentil, também. Felizmente, costumo seguir meu coração sendo que este era o mais forte dos dois. Mas recuar e disseminar uma situação quando se está dominado pelo medo tem causado bastante conflito interno. Enquanto crescia, dificilmente eu era encorajado a me comportar de maneira não-violenta, ao contrário, eu fui ensinado a lutar e "não aceitar provocação de ninguém".
Quando meu pai não impunha tais regras rígidas a nós, ele e meu avô nos contavam histórias de quando eram jovens e, quando desafiados a lutar, seja qual fosse a circunstância, era absolutamente inaceitável recuar. Se eles fossem maior que você, falta de sorte. Caso tivessem uma arma, melhor que você encontrasse uma também. Se estivessem em maior número que você, melhor obter algo para igualar o campo. Eles nos contavam que caso seus pais descobrissem que fugiram, apanhariam duas vezes mais quando chegassem em casa. O que fazer quando você está enfrenta uma briga de uns garotos cruéis da escola ou mesmo uma com seu pai em casa? Aprende-se a lutar. Aprende-se a reagir fisicamente aos desafios. Aprende-se a ser um "homem" e "ser mais macho".
Não recordo de alguma vez ter fugido de uma brigar entretanto, nunca fui desafiado a muitas lutas que eu mesmo não começasse. Quando estive no primário, era um intimidador, sendo que era a menor criança e tinha algo a provar. Essa reputação de "cara mal" e "criança agressiva" continuou até o ensino médio. Lembro de pessoas que sequer eu sabia que seriam relutantes em começar algo comigo porque eu era "bom de porrada". A última briga real que tive foi na terceira série quando ataquei uma criança por atirar uma pedra em mim e a espanquei até que outras crianças me afastassem. Quando foi a última vez que alguém que alguém me viu em uma briga pra valer? Claro que costumávamos combinar, mas isso não é o mesmo que uma briga real. A verdade é que eu estava confuso pela minha reputação, mas feliz por viver protegido por esse medo. Principalmente porque eu mesmo ficava aterrorizado em lutar. Contudo, esse temor tem sido por muitos anos um grande sentimento de vergonha interna que me faz sentir menos que um homem.
Em meus anos anteriores, nunca me ocorreu sentir que violência era algo errado e pensar que violência era algo heróico. Seria sempre esse mesmo conceito, de separação entre pensamentos e sentimentos, que um dia me permitiriam perceber que não tenho apenas dois corações, mas também duas mentes. Essas mentes egoístas são o peso de gênero imposto por se ser criado por mulheres e viver como homem em sociedade. Em casa, tenho a expectativa de ser mais "feminino" e, em público, a expectativa de ser mais "masculino". Com a concretização dessas duas personalidades egoístas, uma semente que foi plantada não é minha identidade ESCOLHIDA. Com essa semente vem outra concretização, a de que estas personalidades impostas são, senão, máscaras para serem usadas por segurança quando são necessárias, para proteger minha personalidade frágil ainda nos estágios precoces de crescimento; começando apenas agora a germinar. Minha identidade verdadeira está situada abaixo da superfície e não é tão fortemente classificada como "masculina" ou "feminina", mas está em algum lugar entre esses dois; humana. Lentamente, essa personalidade genuína ganha mais força. Enquanto o tempo passa, ela se torna mais ciente de si e um dia se tornará forte o suficiente e eu posso não precisar mais usar essas máscaras de gênero. De fato, um dia estas máscaras se fundirão completamente. Serão absorvidas pela minha personalidade ESCOLHIDA que cresce abaixo delas e todas as partes desnecessários se desprenderão e cairão ao chão como se eu tivesse lhes superado. Elas se tornarão alimento para a personalidade real quando eu olhar para trás, em direção a um tempo no qual eu precisava delas e que significavam e ainda significam algo.
Enquanto essas máscaras enfraquecem, durante a noite, deito acordado a ouvir meus dois corações. Entendo agora que eles cantam duas partes para a mesma canção. Canções sobre sacrifício próprio (o homem pela partida, a mulher pela permanência), regras sobre a violência (o homem apenas reverte à violência quando não há outro caminho, a mulher sempre procura pelo outro caminho), força (o homem exibindo força externa, a mulher exibindo força interna). Veja que o desacordo sempre esteve entre o que pensei ser a verdade e o que eu sentia ser a verdade. E quando minha mente se acalma e as vozes daqueles que me relatam sobre o erro que se esvai, posso finalmente ouvir as verdadeiras mensagens que esses dois corações têm cantado em uníssono; carinho, respeito, sobrevivência, força, HONESTIDADE. Acima de tudo, honestidade. Entendo agora que as qualidades que eles ensinam não são nem masculinas tampouco femininas, mas qualidades humanas.
Agora que tenho ouvidos para escutar, suas canções me ensinam quando busco, guardam-me quando estou só, protegem-me quando estou em perigo, aconselham-me quando estou perdido. Quando lhes ouço juntos, guiam-me, são meu farol em mares revoltos. Alarmes de esperança, lançando com ímpeto a personalidade egoísta contra penhascos rochosos, libertando sua carga enjaulada. Enquanto minha personalidade real cresce e floresce, uma terceira voz lentamente se junta a essa harmonia: meu eu. E quando perder meu medo de cantar, essa música será como vento abaixo da fênix, destruindo todas as fronteiras que ousarem ficar no caminho.
Quando meu pai não impunha tais regras rígidas a nós, ele e meu avô nos contavam histórias de quando eram jovens e, quando desafiados a lutar, seja qual fosse a circunstância, era absolutamente inaceitável recuar. Se eles fossem maior que você, falta de sorte. Caso tivessem uma arma, melhor que você encontrasse uma também. Se estivessem em maior número que você, melhor obter algo para igualar o campo. Eles nos contavam que caso seus pais descobrissem que fugiram, apanhariam duas vezes mais quando chegassem em casa. O que fazer quando você está enfrenta uma briga de uns garotos cruéis da escola ou mesmo uma com seu pai em casa? Aprende-se a lutar. Aprende-se a reagir fisicamente aos desafios. Aprende-se a ser um "homem" e "ser mais macho".
Não recordo de alguma vez ter fugido de uma brigar entretanto, nunca fui desafiado a muitas lutas que eu mesmo não começasse. Quando estive no primário, era um intimidador, sendo que era a menor criança e tinha algo a provar. Essa reputação de "cara mal" e "criança agressiva" continuou até o ensino médio. Lembro de pessoas que sequer eu sabia que seriam relutantes em começar algo comigo porque eu era "bom de porrada". A última briga real que tive foi na terceira série quando ataquei uma criança por atirar uma pedra em mim e a espanquei até que outras crianças me afastassem. Quando foi a última vez que alguém que alguém me viu em uma briga pra valer? Claro que costumávamos combinar, mas isso não é o mesmo que uma briga real. A verdade é que eu estava confuso pela minha reputação, mas feliz por viver protegido por esse medo. Principalmente porque eu mesmo ficava aterrorizado em lutar. Contudo, esse temor tem sido por muitos anos um grande sentimento de vergonha interna que me faz sentir menos que um homem.
Em meus anos anteriores, nunca me ocorreu sentir que violência era algo errado e pensar que violência era algo heróico. Seria sempre esse mesmo conceito, de separação entre pensamentos e sentimentos, que um dia me permitiriam perceber que não tenho apenas dois corações, mas também duas mentes. Essas mentes egoístas são o peso de gênero imposto por se ser criado por mulheres e viver como homem em sociedade. Em casa, tenho a expectativa de ser mais "feminino" e, em público, a expectativa de ser mais "masculino". Com a concretização dessas duas personalidades egoístas, uma semente que foi plantada não é minha identidade ESCOLHIDA. Com essa semente vem outra concretização, a de que estas personalidades impostas são, senão, máscaras para serem usadas por segurança quando são necessárias, para proteger minha personalidade frágil ainda nos estágios precoces de crescimento; começando apenas agora a germinar. Minha identidade verdadeira está situada abaixo da superfície e não é tão fortemente classificada como "masculina" ou "feminina", mas está em algum lugar entre esses dois; humana. Lentamente, essa personalidade genuína ganha mais força. Enquanto o tempo passa, ela se torna mais ciente de si e um dia se tornará forte o suficiente e eu posso não precisar mais usar essas máscaras de gênero. De fato, um dia estas máscaras se fundirão completamente. Serão absorvidas pela minha personalidade ESCOLHIDA que cresce abaixo delas e todas as partes desnecessários se desprenderão e cairão ao chão como se eu tivesse lhes superado. Elas se tornarão alimento para a personalidade real quando eu olhar para trás, em direção a um tempo no qual eu precisava delas e que significavam e ainda significam algo.
Enquanto essas máscaras enfraquecem, durante a noite, deito acordado a ouvir meus dois corações. Entendo agora que eles cantam duas partes para a mesma canção. Canções sobre sacrifício próprio (o homem pela partida, a mulher pela permanência), regras sobre a violência (o homem apenas reverte à violência quando não há outro caminho, a mulher sempre procura pelo outro caminho), força (o homem exibindo força externa, a mulher exibindo força interna). Veja que o desacordo sempre esteve entre o que pensei ser a verdade e o que eu sentia ser a verdade. E quando minha mente se acalma e as vozes daqueles que me relatam sobre o erro que se esvai, posso finalmente ouvir as verdadeiras mensagens que esses dois corações têm cantado em uníssono; carinho, respeito, sobrevivência, força, HONESTIDADE. Acima de tudo, honestidade. Entendo agora que as qualidades que eles ensinam não são nem masculinas tampouco femininas, mas qualidades humanas.
Agora que tenho ouvidos para escutar, suas canções me ensinam quando busco, guardam-me quando estou só, protegem-me quando estou em perigo, aconselham-me quando estou perdido. Quando lhes ouço juntos, guiam-me, são meu farol em mares revoltos. Alarmes de esperança, lançando com ímpeto a personalidade egoísta contra penhascos rochosos, libertando sua carga enjaulada. Enquanto minha personalidade real cresce e floresce, uma terceira voz lentamente se junta a essa harmonia: meu eu. E quando perder meu medo de cantar, essa música será como vento abaixo da fênix, destruindo todas as fronteiras que ousarem ficar no caminho.
Por Jessie Lee Barber
Tradução de Josh Baconi





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