Para quem nunca aprende...

Esses rabiscos que venho fazendo desde tempos remotos – exagero, eu sei – não são direcionados a alguém em questão, mas unicamente para expor, em parte, aquele sentimento solitário que se alastra na minha mente, em meu coração. Não queria fugir da responsabilidade que tenho de aliviar a minha mente desabafando o que está acumulado na garganta. Nem sei se tenho esse dever, porém, creio que estou maltratando o meu bem-estar sentimental. Entretanto, sabe o que é infinitamente pior do que tudo o que venho passando? É o fato de eu querer me conformar, conseguir e, em seguida, voltar atrás com o primeiro fiapo de esperança que possa surgir. Uma simples faísca que eu abraço com toda força, como se toda minha vida dependesse disso. É assim.

É assim que as vibrações corporais aumentam, uma falsa felicidade de um futuro se propaga por todos os pensamentos. Cada plano feito sozinho, sem o conhecimento de alguém envolvido é armado como um “será assim, e eu vou ser feliz”. Pode ser clichê comentar isso, mas: doce ilusão. Não se pode planejar nada sozinho e, então, porque não aprendo ou simplesmente aceito, enxergo as situações ao redor da forma como são? Por que as aparentes faíscas continuam surgindo, enganando, sabendo que eu vou ver aquilo como uma fogueira maior que eu já havia visto nas situações em que me iludi anteriormente?

Não aprendo. Continuo errando. Quando acertar? Talvez nunca. Quem sabe. Ainda estou mergulhado nos erros e, o mais provável, é que eu acabe me afogado nos mesmos. São tantos deles que, olhando à minha volta, fico zonzo, perdido e não consigo seguir em frente, levando as frustrações de outrora como lições, como aprendizado. Significa que eu não aprendo nada ou que eu finjo que aprendi. Sempre acabo caindo no próximo bueiro e, ali, encontro-me em novas situações que me farão desabar mais ainda. Desabar tanto que, talvez, eu chegue a encontrar o meu próprio fundo do poço e, depois deste, meu próprio inferno, onde está a minha própria prisão – de onde eu acredito que não poderei sair. Poderei? Pra quê eu coloco uma condição nessa sentença? Viu? Eu não aprendo. Apenas continuo achando que algo pode dar certo. Por que você Esperança, não me deixa em paz? A sua inexistência em meu coração faria com que eu trouxesse alívio a mim mesmo. Faria com que eu olhasse para cada faísca e as apagasse no mesmo instante em que as visse. Eu poderia ficar triste, sentir-me acabado, derrotado, angustiado, maltratado, mas estaria desesperançado. Eu entenderia. Sofreria. Mas sofreria menos... Eu não sei dizer. É só o que tem sido dito aos ouvidos de meus pensamentos.

Enquanto isso, continuo tentando me livrar de você, tentando acumular razões suficientes para lhe jogar no lixo, no vaso e deixar descer pelo cano e parar na casa de quem você pudesse servir mais. Não quero mais você como minha mascote ou como qualquer coisa semelhante, Esperança. Já ergui a bandeira branca, e você ainda quer guerra? No final das contas, eu sei que nunca irei me desprender de você. No final das contas, eu ainda tenho esperança de que você, Esperança, saia de mim.

Eu nunca aprendo.

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Na morte, ninguém é diferente...


Segundo informações do Wikipédia (estas são seguras porque antes pesquisei em outros locais e achei as informações do Wikipedia mais simples, direta)La Catrina é uma personagem da cultura popular mexicana, "é a representação humorística do esqueleto de uma dama da alta sociedade." Daqui, partimos para a caracterização, onde "O personagem se caracteriza como um esqueleto de mulher usando um chapéu, como distintivo da alta sociedades do início do século XX e tem uma função de memento mori destinado a lembrar que as diferenças sociais não significam nada, diante da morte." Fonte: Wikipédia.

Levando em consideração as informações supracitadas, montei o roteiro BEM simples, nada profissional, de uma peça para uma amiga - fantasiada de Catrina na foto que você vê no início desta postagem - onde ela expressa em uma só fala o que diria a Catrina para meros mortais. Espero que gostem!


LA CATRINA

Roteiro e direção de Josh Baconi

Interpretação de Duda Saraíva


[La Catrina caminha vagarosamente pelo palco, menosprezando as pessoas que vê, seu ar esnobe é visível].

Enquanto caminha, inicia seu discurso:

- Nasci rica e outrora fui importante. Preenchia todos os meus salões de festa com a mais alta sociedade mexicana. Viajei para países e conheci os mais importantes membros do governo, tão esnobes quanto eu, tão cheios de orgulho, menosprezando os menores. Eu imaginava que, por minha riqueza, eu teria um lugar correspondente ao meu status no céu ou no inferno – claro que fui parar no inferno – que a riqueza me seguiria por toda eternidade. Mas tudo o que consegui foi um túmulo ornamentado. Essas jóias que vêem em meus braços, essa história que lhes contei sobre minha vida terrena nada, absolutamente NADA valem perante a Morte. Ela é sempre a mesma para todos.

[La Catrina assume uma posição sorridente e simpática perante o público].

- O materialismo, a arrogância, a riqueza não possuem valor algum, pois assim que chegar a morte, TODOS vocês, serão como eu: lindas e belas caveiras. Eu morri... mas não perdi a pose (risinho simpático).

[La Catrina sai de cena].
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Reencontro


Eu não queria ver, mas, talvez, caso não o fizesse, não iria me conformar, diziam todos. Aconteceu de modo que todos os instantes preciosos entre nós tivessem durado menos que milésimos. Lembro-me de adentrar a igreja totalmente cabisbaixo, taciturno, andando vagarosamente, não como um louco desvairado quando enfrenta tal situação. Não derramava uma lágrima sequer, porém, creio que minha expressão era o suficiente para demonstrar o meu pesar. Eu podia não estar observando, entretanto, sentia olhares caindo sobre mim como bigornas frias. Queria que ninguém estivesse ali; apenas eu, pois creio que eu era a pessoa mais abalada com o que ocorrera.


Enquanto saltava de meu costumeiro jipe, naquele momento sendo conduzido por meu irmão, Fred, a atmosfera pareceu se esvair, retirando por completo todo o ar que eu tinha nos pulmões. Cada detalhe do mundo se tingia de melancolia, e sei que era somente de meu conhecimento que o céu deixava cair pequenos flocos de cinzas provenientes de suas nuvens negras no que, Fred havia me dito, era uma tarde ensolarada aconchegantemente quente. Não sei se ele queria me trazer conforto com esse comentário; na verdade, eu não esperava ou queria isso de ninguém. Aquele momento, reforço, era somente eu e, para minha infelicidade do instante, ninguém mais.


E eu andava pela nave da Igreja de Saint Peter como se o chão pelo qual eu dava cada passo fosse desmoronar, ou derreter como cera aquecida. Essa sensação fazia com que eu andasse dobrando os joelhos entre o que parecia um mar negro de onde vinham pessoas oferecendo ajuda para conduzir-me à parte frontal...


Recusei. Custasse o tempo que fosse, a mínima bravura que eu possuía em meu coração me ajudaria a prosseguir e alcançar... e, quando o fiz, subi um pequeno lance de degraus e olhei.

Estava linda, como sempre fora, porém, um tanto mais pálida, embora isso não parecesse demonstrar que todo sua vida havia sido tirada. Os olhos dela, levemente maquiados, provavelmente por sua irmã, Karlane, transmitiram-me uma estranha sensação de paz, como se houvesse se livrado de algo que eu desconhecia. Toquei-lhe o rosto enquanto a encarava e alguns parentes e amigos me rodeavam caso eu não me contivesse e começasse a entrar em pânico. Mas não.


Eu tampouco chorei...


Antes, eu jurara para ela que estaríamos juntos brevemente, porém, era eu quem queria vê-la por uma última vez naquele mundo cinzento, pois não sabia como sua alma seria quando estivéssemos na eternidade e, talvez, aquele último vislumbre de seu rosto me ajudaria a sempre imaginar como ela fora.


Dei-lhe um último beijo nos lábios, não me importando com os olhares arregalados em torno de mim. Sem ver nada, meus pés guiaram-me para o arco de saída.


Estava indo reencontrá-la.

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Memória de um Ceifeiro


Escritório de Depósitos e Relatórios Espirituais XXI, Ala V.

Morri e transformei-me num Ceifeiro. Talvez você não saiba, mas, quando morremos, temos o direito de escolher certos ofícios ou, simplesmente, deixar de existir. Não lembro exatamente da razão que me levou a exercer meu atual cargo, tampouco lembro de quem eu era quando humano... digo... acho que tenho memórias que surgem como estampidos em minha mente. Não sei dizer ao certo, mas, talvez, eu me tratasse de alguém bastante infeliz. Tais vislumbres abruptos estão manchados de vermelho e negrume. Eu disse “bastante infeliz”? Creio que a Infelicidade seja um sentimento exclusivamente humano. Não creio que eu esteja começando a senti-lo ou entendê-lo. Tudo o que sei é que minha mente é demasiadamente vaga, meus olhos tão vazios e meus cabelos mortos, tão mortos quanto minha profissão, da qual somente recebo a eternidade como salário...

Não posso expressar em voz alta o que aqui escrevo. Posso ser Punido. Não sei se é Medo. Não sei o que isso significa. Talvez eu esteja me contradizendo demais. E começando a ficar Confuso... Não tenho certeza quando tudo isso começou. Sinto... É provável que tenha sido daquela vez, na qual eu recolhia as almas de meu Setor em plena II Guerra. Lá estavam as pilhas de corpos com milhares de mínimas e reluzentes Esferas lhes sobrevoando. A Morte havia passado por ali e eu tinha de pôr todas aquelas Almas dentro de minha Mochila. Enquanto eu por ali passava e executava meu serviço, era impossível não observar os rostos inexpressivos, os corpos nus, as cabeças raspadas. Incrível era o fato de que apenas aqueles pontinhos eram responsáveis pela Vida daqueles, agora, apenas quilos de carne. De alguma forma violenta, os pontos haviam sido expulsos daqueles corpos e suas vidas esvaíram-se... Eu poderia perfeitamente bem devolvê-los, porém, caso o fizesse, deixaria de existir. Seria destruído. Agora que escrevi esta parte, talvez eu possa dizer que o Medo de um Ceifeiro é de deixar de existir. Muitos já não mais estão em qualquer Esfera Espiritual que exista. Teriam criado ou adquirido os sentimentos humanos?

Não sei.

Talvez...

... o preto e o branco de minha visão tenha começado a se colorir, no sentido de que eu começava a sentir somente algo dentro de meu não-coração, obviamente, pois a cor que se via naquelas montanhas cadavéricas era somente um azul-pálido, um cinza-melancólico e um marrom-taciturno. E essas são cores que vi que, para mim, só expressavam a Tristeza... a Perda...
Talvez eu devesse parar de escrever em minhas folhas de relatórios. De certa forma, percebo que estou começando a desvanecer...
Hora de retornar ao trabalho.
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Na morte sentimos saudade?


Ao pegarem este papel já devem ter percebido diante de seus olhos o que nomeariam de tragédia. Devem ter visto meu corpo no chão, estatelado, imóvel, rijo, com os braços e as mãos abertas próximas a um pequeno frasco vazio destampado. O que chamam de tragédia, para mim significou alívio. Pois, assim, livrei-os de mais sofrimentos e tragédias que poderiam acontecer convosco. Eu me questionava a todo tempo quando seria o tão esperado momento em que eu pudesse, digamos, "tomar jeito em minha vida". Contudo, acreditei e tive certeza que tal momento nunca viria à tona, simplesmente porque quando sentei de frente para a cômoda e fiquei a observar meu taciturno rosto no aço espelhar, finalmente, dei-me a refletir sobre todos os eventos ocorridos durante toda a minha jornada de vida. Desabou sobre mim que, praticamente, tudo estava se desenrolando da forma mais errônea possível ao meu redor e dentro de mim. Conclui que tudo acontecia por eu estar ali, presente, executando todos os tipos de ações inimagináveis e perversas que, cedo ou tarde, vocês sempre descobriam. O que nunca realmente descobriram era como eu realmente estava por dentro, embora por fora nada se refletisse. Sei que dirão que eu era um garoto sorridente e que, de vez em quando, desviava os rumos do caminho certo. Infelizmente, vos informo, não era assim. Só eu sabia como era. Somente eu sabia qual era o peso que caía sobre mim assim quando me arrependia de ter feito mal a alguém. Consequentemente terminava fazendo mal a mim. O mal que aos outros infrlingi, poderiam esquecer, entretanto, como mácula sempre se tatuava em minha consciência por mais que eu quisesse me desculpar ou fosse perdoado mesmo sem pedir isso.

Mãe, como outrora [eu] dissera a você, não merecia a consideração de ninguém. Sempre a antagonizava, mas de frente para aquele espelho pude perceber a verdade. Talvez eu a [contrariasse] para que lavasse de mim qualquer culpa. Portanto, não se sinta culpada por meu atual estado diante de ti.

Atente e acredite no que agora vou lhe dizer: você foi a pessoa mais importante para mim em toda minha vida. Tanto que foi você a única pessoa para a qual já pedi perdão e tive receio de magoar. O que poderia me fazer feliz era errôneo e afastei porque não queria ferir seu âmago. Não queria lhe fazer sofrer! Minha felicidade era sua infelicidade. E optei por não prosseguir por planos que pudessem lhe fazer chorar mais do que agora [deve] estar.


Pai, de ti sempre afastado fui e, talvez, por isso nossas brigas tornaram-se cada dia incessantes.


Jenny, minha irmã, desculpe-me por não ser também amigo e todos os dias gritar com você por banalidades diárias.


Jason, querido irmão, passei contigo alguns momentos importantes ouvindo as músicas que pirávamos. E ficarei te devendo, desculpe, eternamente, o sonho de ir com você ao show da banda que tanto idolatrávamos.


Para tios e tias só posso dizer-lhes que, apesar de meu fechamento pessoal e minha distância em relação a reuniões familiares, sempre me imaginei sorrindo junto a vocês caso eu não fosse da forma que sou. E o que dizer aos amigos que, embora tão próximos, [eu] nunca soube aproveitar a amizade? Perdoe-me (acho que este, talvez, seja o segundo perdão da minha vida) por não querer dividir meus problemas com vocês. Tornariam-se uma carga que não suportariam e que eu decidi estar disposto a sempre resolvê-los por mim ou, então, deixá-los na gaveta de minha consciência. Agradeço-vos pelas bobagens passadas por nós, pelas aventuras sem vergonha alguma, pelas banalidades proferias, pelos Círculos de Contos de Terror e, também, por confiarem a mim seus segredos, mesmo eu tendo dito que nunca lhes confiaria os meus.


À pessoa que eu amava, que nunca soube que eu amava e, nem agora irá saber, espero que continue feliz e encontre alguém que mereça o seu amor e amizade porque eu nunca os mereci e, talvez, por isso, sempre senti receio de lhe falar o quanto chorei para algum dia estar ao seu lado. E este dia nunca chegará. A partir de hoje, nada mais chegará, a não ser minha partida, sem ti, sem todos vocês...

Eu era alguém cujos objetivos falhariam sempre. A faculdade? Sim, [eu] estava lá. Porém, não era o que eu queria. E, agora, neste instante, lhes direi que nunca saberão os problemas que me afligiam porque desejei que eles morressem comigo. Talvez deles não mais me recorde. Não sei. Não sei ainda como é a morte. Talvez [tenha optado] por ela porque a vida não suportava a carga que [eu] possuía. Desculpem pela letra tremida ou pelas lágrimas que mancham algumas palavras nesta carta, tornando-a um pouco ilegível. Agradeço por cada sorriso, por cada choro de alegria, por torcerem por mim, por terem acreditado em mim e... Realizem um pedido meu? Sejam felizes, por favor, e, se possível, esqueçam esta alma que hoje parte para além do infinito... E, mãe, estarei bem, talvez nunca melhor do que se continuasse vivendo.



Na morte sentimos saudades? Se não, até aqui, ainda sinto...



Justin...




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Meus Dois Corações

Sempre foi minha política seguir meu coração. Mas o que você faz se dois corações batem em seu peito? Quando fico tranquilo e escuto, ouço duas pulsações de coração. A doutora insiste que há apenas um, mas eu sei que ela está errada. Posso ouvi-los quando me ponho a escutar e quando me concentro posso senti-los bater lado a lado; alternando a corrente sanguínea. Um é uma personalidade séria e masculina, tranquilo e forte, obscuro e misterioso; um guerreiro. Ele me diz para ser masculino e forte; intimidante. O outro, uma mulher, é maternal. Ela é agradável e gentil, compreensiva e misericordiosa. Ela me diz para ser feminino e tolerante. Um deles me diz para procurar entendimento em todas as situações. O outro para ter razão ao encarar uma situação e tomar o controle, ou até mesmo ser a fonte do conflito. Qual deles é real? Qual deles é o verdadeiro?
Esta dualidade sempre tem sido especialmente difícil quando enfrento uma situação violenta. Em meu coração, sei que difundir a violência é o melhor caminho, mas eu mesmo acho que isso é um fraco curso de ação. Abster-se de violência é ser fraco, evitá-la e ser gentil, também. Felizmente, costumo seguir meu coração sendo que este era o mais forte dos dois. Mas recuar e disseminar uma situação quando se está dominado pelo medo tem causado bastante conflito interno. Enquanto crescia, dificilmente eu era encorajado a me comportar de maneira não-violenta, ao contrário, eu fui ensinado a lutar e "não aceitar provocação de ninguém".
Quando meu pai não impunha tais regras rígidas a nós, ele e meu avô nos contavam histórias de quando eram jovens e, quando desafiados a lutar, seja qual fosse a circunstância, era absolutamente inaceitável recuar. Se eles fossem maior que você, falta de sorte. Caso tivessem uma arma, melhor que você encontrasse uma também. Se estivessem em maior número que você, melhor obter algo para igualar o campo. Eles nos contavam que caso seus pais descobrissem que fugiram, apanhariam duas vezes mais quando chegassem em casa. O que fazer quando você está enfrenta uma briga de uns garotos cruéis da escola ou mesmo uma com seu pai em casa? Aprende-se a lutar. Aprende-se a reagir fisicamente aos desafios. Aprende-se a ser um "homem" e "ser mais macho".
Não recordo de alguma vez ter fugido de uma brigar entretanto, nunca fui desafiado a muitas lutas que eu mesmo não começasse. Quando estive no primário, era um intimidador, sendo que era a menor criança e tinha algo a provar. Essa reputação de "cara mal" e "criança agressiva" continuou até o ensino médio. Lembro de pessoas que sequer eu sabia que seriam relutantes em começar algo comigo porque eu era "bom de porrada". A última briga real que tive foi na terceira série quando ataquei uma criança por atirar uma pedra em mim e a espanquei até que outras crianças me afastassem. Quando foi a última vez que alguém que alguém me viu em uma briga pra valer? Claro que costumávamos combinar, mas isso não é o mesmo que uma briga real. A verdade é que eu estava confuso pela minha reputação, mas feliz por viver protegido por esse medo. Principalmente porque eu mesmo ficava aterrorizado em lutar. Contudo, esse temor tem sido por muitos anos um grande sentimento de vergonha interna que me faz sentir menos que um homem.
Em meus anos anteriores, nunca me ocorreu sentir que violência era algo errado e pensar que violência era algo heróico. Seria sempre esse mesmo conceito, de separação entre pensamentos e sentimentos, que um dia me permitiriam perceber que não tenho apenas dois corações, mas também duas mentes. Essas mentes egoístas são o peso de gênero imposto por se ser criado por mulheres e viver como homem em sociedade. Em casa, tenho a expectativa de ser mais "feminino" e, em público, a expectativa de ser mais "masculino". Com a concretização dessas duas personalidades egoístas, uma semente que foi plantada não é minha identidade ESCOLHIDA. Com essa semente vem outra concretização, a de que estas personalidades impostas são, senão, máscaras para serem usadas por segurança quando são necessárias, para proteger minha personalidade frágil ainda nos estágios precoces de crescimento; começando apenas agora a germinar. Minha identidade verdadeira está situada abaixo da superfície e não é tão fortemente classificada como "masculina" ou "feminina", mas está em algum lugar entre esses dois; humana. Lentamente, essa personalidade genuína ganha mais força. Enquanto o tempo passa, ela se torna mais ciente de si e um dia se tornará forte o suficiente e eu posso não precisar mais usar essas máscaras de gênero. De fato, um dia estas máscaras se fundirão completamente. Serão absorvidas pela minha personalidade ESCOLHIDA que cresce abaixo delas e todas as partes desnecessários se desprenderão e cairão ao chão como se eu tivesse lhes superado. Elas se tornarão alimento para a personalidade real quando eu olhar para trás, em direção a um tempo no qual eu precisava delas e que significavam e ainda significam algo.
Enquanto essas máscaras enfraquecem, durante a noite, deito acordado a ouvir meus dois corações. Entendo agora que eles cantam duas partes para a mesma canção. Canções sobre sacrifício próprio (o homem pela partida, a mulher pela permanência), regras sobre a violência (o homem apenas reverte à violência quando não há outro caminho, a mulher sempre procura pelo outro caminho), força (o homem exibindo força externa, a mulher exibindo força interna). Veja que o desacordo sempre esteve entre o que pensei ser a verdade e o que eu sentia ser a verdade. E quando minha mente se acalma e as vozes daqueles que me relatam sobre o erro que se esvai, posso finalmente ouvir as verdadeiras mensagens que esses dois corações têm cantado em uníssono; carinho, respeito, sobrevivência, força, HONESTIDADE. Acima de tudo, honestidade. Entendo agora que as qualidades que eles ensinam não são nem masculinas tampouco femininas, mas qualidades humanas.
Agora que tenho ouvidos para escutar, suas canções me ensinam quando busco, guardam-me quando estou só, protegem-me quando estou em perigo, aconselham-me quando estou perdido. Quando lhes ouço juntos, guiam-me, são meu farol em mares revoltos. Alarmes de esperança, lançando com ímpeto a personalidade egoísta contra penhascos rochosos, libertando sua carga enjaulada. Enquanto minha personalidade real cresce e floresce, uma terceira voz lentamente se junta a essa harmonia: meu eu. E quando perder meu medo de cantar, essa música será como vento abaixo da fênix, destruindo todas as fronteiras que ousarem ficar no caminho.



Por Jessie Lee Barber

Tradução de Josh Baconi
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Falta de Criatividade....

Não é exatamente simples lutar pelo o que você quer. Isso depende muito das circunstancias e, sim, eu sei vocês não precisam dizer que isso é óbvio. Eu, por exemplo, quero ser um escritor reconhecido por pelo menos dez pessoas.
Eu sei que o presente blog não se trata de um belo exemplo da "magnitude" do que posso escrever, até porque, vejo eu, vocês vêem, não dou muita atenção para ele... Algumas pessoas, repentinamente aparecem aqui e leem os textos "nadônicos" (vide abaixo) e dizem que foi algo criativo e aí entra meu grande e precioso amigo etecetera. Porém, aquilo surgiu do nada. Exato. Criatividade, por diversas vezes, é algo que surge do nada e, tenho certeza que, assim como a de vocês, minha criatividade não é constante, o que não significa que a criatividade de meus outros amigos blogueiros não seja mais frequente que a minha. Às vezes, eu lembro de meu blog e [pá!] surge alguma coisa em minha mente para eu escrever com fulgor. É claro que este texto que vocês (Nadas, Ninguéns ou Alguéns) estão lendo não tem nada de criativo, exceto por falar de minha própria falta de criatividade e horror em escrever essa palavra tantas vezes em parágrafos que tampouco revisei (portanto, não deem a mínima caso falte uma vírgula aqui ou aculá).

Viram as postagens anteriores? Tristes, não? Talvez não para vocês ou talvez sim, caso já tenham passado por isso (não que eu tivesse explicado claramente o que ocorreu). Bem, eu acho que retornarei aqui assim que possível. Espero que eu tenha uma convulsão ou em enjoo de criatividade para vomitá-la aqui. Caso este rabisco (definição via http://malfeitobemfeito.blogspot.com/ ) tenha lhes agradado ou, até mesmo, desagrado, permitam-me saber com algum comentário. Caso eu não veja comentário algum, saberei quem realmente continua sendo meus fieis leitores (por favor, isso não é esnobismo). Um abraço.
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